A vereadora de Belo Horizonte Marcela Trópia (Novo) foi uma das palestrantes nesta sexta-feira (1º) no HackTown 2025, um dos principais festivais de inovação e tecnologia da América Latina, realizado anualmente em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. Em sua participação no evento, Trópia apresentou a palestra “O Marco Municipal das Startups como Ferramenta de Transformação da Educação – Desafios, Inovação e Resultados em Belo Horizonte”, destacando como a legislação pioneira aprovada na capital mineira poderá gerar impactos diretos na educação pública, ao mesmo tempo em que abre caminho para inovações em diversas outras áreas da gestão municipal.
Embora tenha voltado sua fala especialmente para os avanços na área educacional, a vereadora enfatizou que o Marco Municipal das Startups é uma ferramenta transversal, com potencial para modernizar políticas públicas em setores como mobilidade, saúde e desburocratização de processos. “Belo Horizonte foi a primeira capital do Brasil a regulamentar um marco próprio para startups. Estamos usando esse instrumento para transformar serviços públicos, inclusive dentro das escolas. Agora, queremos compartilhar esse modelo com outras cidades que também têm vocação para a inovação”, afirmou.
A lei municipal, sancionada em abril deste ano a partir de projeto de sua autoria, foi inspirada no Marco Legal Federal das Startups (LC 182/2021) e criou mecanismos como o sandbox regulatório e o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), que permitem ao poder público contratar startups mesmo que ainda estejam em fase inicial de desenvolvimento. Segundo Trópia, esse novo modelo amplia o acesso de empresas de base tecnológica às contratações públicas e aproxima a gestão municipal de soluções criadas dentro do ecossistema empreendedor.
No campo da educação, a vereadora citou o uso de tecnologias para modernizar a gestão escolar, automatizar rotinas pedagógicas e personalizar o atendimento a estudantes. Também relembrou a contratação da startup Quasar, pela prefeitura de Belo Horizonte, que desenvolveu uma plataforma para emissão digital de alvarás, como exemplo da aplicação da nova legislação em outras áreas. Até o momento, o programa PBH Inova, estruturado com base no marco, já destinou R$ 1,5 milhão para soluções inovadoras.
Durante sua fala, Trópia fez questão de reconhecer o protagonismo da região do sul de Minas no cenário nacional de ciência e tecnologia. “É muito simbólico apresentar esse projeto aqui, em Santa Rita do Sapucaí, onde o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e todo esse ecossistema local já demonstra que a inovação pode ser construída a partir das cidades.”
Ainda de acordo com Trópia, diversas cidades mineiras de diferentes regiões, como Lavras, Itajubá, Viçosa e Uberlândia, também têm potencial para replicar esse modelo e liderar uma nova geração de políticas públicas inovadoras em Minas Gerais.
Belo Horizonte já colhe os frutos da aposta em inovação. A capital mineira aparece no topo de rankings internacionais, como o Global Startup Ecosystem Index 2025, que colocou BH como o quarto ecossistema que mais cresce no mundo - à frente de cidades como Austin (EUA) e Tel Aviv (Israel). Para a vereadora, o destaque é resultado de uma combinação entre capital humano qualificado, ecossistema ativo e políticas públicas modernas.
Formada em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas, Marcela Trópia é uma das principais lideranças da pauta da inovação no setor público brasileiro. Autora de um pacote de leis voltadas ao empreendedorismo inovador, ela defende uma gestão pública baseada em evidências, colaboração com o setor produtivo e entrega de resultados concretos para a população. “O poder público precisa deixar de ser um obstáculo e passar a ser um motor da inovação. Isso já está acontecendo em Belo Horizonte - e pode acontecer em todo o estado”, concluiu.
Créditos (Imagem de capa): Marcela Trópia reconheceu o protagonismo do sul de Minas no cenário nacional de ciência e tecnologia (Foto: Gianluca Zappella)
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